sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Retrospectiva 2024: o herói é o cavalo Caramelo!

   
O cavalo Caramelo neste mês de dezembro/Foto Ulbra

  
     Nenhuma imagem neste ano, ao menos de animais, marcou tanto quanto a foto do cavalo Caramelo sobre um telhado, no município de Canoas, no Rio Grande do Sul, assolado pelas inundações de maio. 
     O cavalo estava cercado por águas, encontrou refugio em um telhado, pequeno, onde permaneceu de pé por dias, como um naufrago sobre um bote. Um helicóptero de telejornalismo avistou o animal e transmitiu ao vivo o drama de Caramelo. 
     Resgatado nos dias seguintes por bote, em um operação que envolveu bombeiros e médicos veterinários, o cavalo estava abatido, magro e com feridas na pele. Resistiu o quanto pode de pé, sem comida.
        Foi levado direto para o hospital veterinário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), no Rio Grande do Sul. 
      Neste mês de dezembro, portanto sete meses depois de ser salvo em operação dramática, o cavalo Caramelo foi oficialmente adotado pela Universidade Luterana. E terá dias melhores pela frente. 
    Caramelo está saudável e lindo. Hoje pesa 400 quilos, 50 quilos a mais do que quando foi resgatado das enchentes. Tem acompanhamento médico, nutrição balanceada e até quem faça suas redes sociais, pois muitos internautas querem ter notícias dele.
   Símbolo de resiliência e esperança, o cavalo Caramelo é nosso homenageado nesta retrospectiva de 2024.
      Evidentemente, que a coluna inclui também o cão Joca, um Golden Retriever, que morreu a bordo de avião da Gol depois de ter sido embarcado para destino errado, nesta homenagem aos animais que marcaram o ano de 2024. Sua morte não foi em vão e mudou as regras de segurança para o transporte de cães e gatos em aeronaves no País. 
            Um Feliz 2025 para todos!  
    
    

domingo, 8 de dezembro de 2024

Mantenha seus pets longe da ceia de Natal!

  Todos os anos é o problema se repete. O tio quer fazer graça e começa a dar petiscos por debaixo da mesa para o cachorrinho ou a levar até o gatinho, escondido, pedaços de peru ou presunto da ceia de Natal. Tudo muito bem temperado.

  A ceia dos humanos não tem nada a ver com a dieta saudável de um cão e de um gato. Rica em temperos, gordura, cebola, abacaxi, passas (sempre muitas passas) a mesa natalina é um risco para o sistema gastrointestinal de seu pet. 

  O ponto crítico é que os convidados não são avisados de que não é permitido dar comida aos animais. Mesmo se uma placa avisasse da restrição, depois de alguns goles de vinho ou cerveja, a turma iria relaxar e cair na sedução dos olhos repletos de pedidos dos pets.

As mesas com bombons então são um perigo! O chocolate (cacau) é tóxico aos cães. Manteiga e sorvetes podem intoxicar os gatos. 

A solução é fazer uma ceia específica para seu cão ou seu gato. Uma comida caseira, sem sal e sem tempero. Essa opção é melhor até do que a compra de ceias de natal para pets, cujos ingredientes muitas vezes são desconhecidos pelo consumidor. 

A receita para os pets:

O cães apreciam uma ceia bonita e colorida que dever ser feita com atum em lata, brócolis e cenoura cozidas, e um ovo de codorna também cozido.

Os gatos podem provar o atum em lata, ou salmão cozido, e um pouco de brócolis cozido. 

Tudo a ser servido ao lado da mesa dos humanos. 

Mas ponha uma plaquinha na porta para o tio fanfarrão: Estamos de olho! Não dê o peru de Natal temperado aos pets!

E bom Natal!

  

 

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

A Inteligência Artificial (IA) será o médico de seu pet?

  Já imaginou pedir uma segunda opinião de um caso clínico de um cão ou de um gato à Inteligência Artificial (IA)? E já considerou que a conversa entre tutores e médicos podem ao final da consulta ser transformada em um prontuário objetivo, e automaticamente?

 Essa já é a realidade do uso da Inteligência Artificial nos consultórios de veterinários nos Estados Unidos. E a novidade logo estará aqui no Brasil.   

 Na Califórnia, a IA já é utilizada para particularizar tratamentos como o da quimioterapia contra o câncer Linfoma, em cães. Isso sempre foi um desafio na medicina. Até hoje, usa-se protocolos já estabelecidos, que mal consideram a idade ou o grau de anemia, por exemplo, do paciente. Levando em conta apenas o peso.

 Uma empresa desenvolveu programa a partir da IA que dá a cada paciente um protocolo próprio, exclusivo. São usados inúmeros dados e exames nesta elaboração específica pela IA.  

 Atualmente, a IA é intensamente debatida no College of Veterinary Medicine, da Cornell University, e na American Veterinary Medical Association (AVMA) que organizou um simpósio sobre o tema em setembro passado. Aqui no Brasil, renomados veterinários, com títulos de doutores pela USP, estão fazendo cursos sobre a Inteligência Artificial.

  O emprego dessa tecnologia deve ajudar em laudos sobre imagens de raio-x e de ultrasson nos pets. 

   O cérebro digital veio para ficar na Medicina Veterinária trazendo desafios e receios!

   Com certeza, vai tornar-se um instrumento eficiente e corriqueiro, mas a essência de um tratamento veterinário estará sempre na relação do médico com o paciente.

   O rabinho abanando ao final da consulta, os olhos que contam suas histórias, os sinais de dor, são informações que somente um humano treinado é capaz de identificar. E responder ao paciente cão ou gato que estará junto com ele/ela na luta contra a doença, só os humanos podem fazer. 

    Assim, como transmitir o amor ao paciente.

   Sem amor, como disse o apóstolo Paulo, nada adianta, nada é feito, mesmo que seja uma super inteligência artificial! 

      

domingo, 17 de novembro de 2024

Férias à vista! O drama do abandono de pets!

   Dois gatinhos filhotes foram abandonados aqui no bairro, na zona sul de São Paulo, no feriado de 15 de novembro. Um foi deixado em caixa de papelão e outro largado no meio da rua, sobre a faixa que divide as duas pistas.

  Coincidência? Não. Não há acaso neste tipo de crime, que aumenta consideravelmente durante os feriados, na época das festas de fim de ano e nas férias. É quando pessoas inescrupulosas querem viajar e não hesitam em deixar para trás cães e gatos, filhotes ou idosos, largando-os nas ruas ou praças.   

 A falta de planejamento e de organização financeira também contribuem para o abandono dos pets nas férias. 

  No Brasil, o abandono de animais domésticos é crime, e a lei prevê detenção e multa para o réu.  

  Esse tipo de abandono de pet, que aumenta no verão, não é crueldade registrada apenas no Brasil. Ocorre também na Europa! 

  A França é país conhecido pelos inúmeros casos de abandono de cães e gatos durante as férias de verão, que lá ocorrem em junho e julho (estação quente no hemisfério norte). 

  O problema é recorrente de tal forma que organizações protetoras dos animais fazem campanhas educativas em todos os anos e de alerta sobre o crime. 

   A Sociedade Protetora dos Animais da França (Société Protectrice des Animaux, a SPA) informa em seu site que existem várias razões para o abandono de pets no país: mudanças de residência, separações de casais e problemas financeiros. Mas o mais importante, em primeiro lugar nesta lista, são as férias de verão dos franceses.  

 "Todos os verões, recolhemos mais de 10.000 animais vítimas destes abandonos de férias", diz a nota no site, da direção da SPA. Atenção, você leu direito, são dez mil!! 

   Por aqui, no Brasil, não temos ainda estatísticas confiáveis. 

  Quem ama, nunca abandona. E há possibilidades, sim, de curtir boas férias com os pets ou de deixá-los em locais seguros e apropriados: tanto no Brasil quanto na França existem roteiros turísticos que podem ser feitos com os pets e são inúmeras hoje em dia as ofertas de hotelzinho para cães ou de catsitter, profissional para os bichanos.

    ONDE DENUNCIAR: Quem testemunhar o crime de abandono de animais domésticos no Brasil deve chamar a Polícia Militar ou a Polícia Militar Ambiental de seu estado. O abandono é tratado como qualquer outro crime previsto em lei e há departamentos da Polícia Civil para esse tipo de investigação.

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Nos EUA, o cão mais popular é um imigrante francês!

  
Instagran/AKC
 Apesar dos ataques de Trump aos imigrantes humanos nesta eleição para a presidência dos Estados Unidos, tudo indica que seu discurso não faz nenhum sentido também no universo canino. O cão mais popular nos Estados Unidos, segundo o American Kennel Club (AKC), é o Buldogue Francês ou, o nome oficial, Bouledogue Français. 

  A raça surgiu nos arredores de Paris no final do século 19, chegou de navio aos Estados Unidos onde se tornou a preferida dos norte-americanos em 2022. Neste ano, o pequeno Francês, simpático e forte, desbancou o favoritismo de décadas do Labrador (de origem canadense, e atual vice, com o segundo lugar entre as raças mais populares no país). 

  Atrás do vice, vêm o Golden Retriever, o Pastor Alemão e o Poodle. 

  Um norte-americano de verdade só aparece na 23º posição, é o Boston Terrier, que tem origem na cidade de Boston, capital de Massachusetts, que segundo pesquisas, é terra dos Democratas. Ali, vence Kamala Harris. 

   O Buldogue Francês no Brasil é também popular. Mas por ser um cão braquiocefálico, ou seja, que tem o focinho curto, sofre com o calor dos trópicos. O focinho foi encurtado pela seleção artificial realizada pelos seres humanos, mas acabou prejudicando os cães, que submetidos ao calor ou ao exercício podem ter problemas respiratórios graves.

 Não há em nosso país pesquisa eleitoral abrangente sobre o pet favorito, mas considerando apenas a lista das raças mais procuradas por tutores, vence o Lulu da Pomerânia (Sptiz Alemão).

  Mas é claro que, na eleição direta, no voto popular, a vitória garantida é do vira-lata Caramelo, o orgulho nacional.   


  

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Raça: escolha deve ter em conta risco de doenças.

   Os cães de raça, e os gatos também, têm predisposição a determinadas doenças. Se a árvore genealógica é conhecida, e isso está no pedigree, documento oficial que atesta a raça, os males também os são. Hoje, a Ciência e os criadores já sabem qual a predisposição de determinada raça para uma doença. 

  No entanto, tal problema é ignorado na hora da aquisição de um filhote fofinho. Nesta ocasião, quase nada, ou nada, se fala sobre essa realidade que os médicos veterinários conhecem de perto. A única coisa vista são as virtudes e características da raça.

 Um filhote de Yorkshire, por exemplo, uma raça com origem na Inglaterra, já nasce com predisposição para apresentar pancreatite, inflamação do pâncreas, doença grave. É comum problemas gastrointestinais.  

  O Bernese, um grandão das montanhas da Suiça, tem até doença relacionada a ele, o Mal de von Willebrand (caracterizado por problemas na coagulação do sangue). Sem falar nos casos diagnosticados nos consultórios de Histiocitose cutânea reativa.

   Os escoceses Golden Retrievers que são ameaçados pela displasia coxo-femural e o hipotireoidismo têm sido vítimas de câncer no início da fase idosa, que chega cedo, por volta dos 7 anos de idade.

    A raça Pastor Alemão, outrora estrela dos filmes policiais, sucumbiu à displasia coxo-femural, e foi substituída em todas as polícias do mundo pelo pastor Belga Malinois (ainda intacto).

    O doce Cocker Spaniel Inglês é um caso para os dermatologistas, e na pior das hipóteses, para os hematologistas, com a Trombocitopenia Imunomediada, doença rara, mas diagnosticada na raça.

    O cães braquiocefálicos, que têm o focinho curto, como o Buldogue francês, mal conseguem respirar no calor dos trópicos. E eles têm até uma síndrome própria: a Síndrome do Braqueiocefálico, que são alterações na anatomia do palato mole e duro que dificultam a respiração.   

  Aqui, não cito as doenças infecciosas, que as vacinas podem prevenir, mas problemas herdados, os congênitos!

  Neste artigo, vou me limitar aos exemplos dos cães e não vou me estender às causas (essas devem ser tratadas em novo texto). As causas estão relacionadas naturalmente à seleção artificial feita pelos seres humanos.

  Vale reforçar o alerta: na hora de adquirir um cão de raça, veja as qualidades, o temperamento, mas também eventuais predisposições a doenças, não custa nada, para evitar surpresas. O cão perfeito não existe.

       

     

sábado, 19 de outubro de 2024

Caso Joca: Justiça está de olhos vendados para os animais!

  

O tutor João Fantazzini e o cão Joca/Foto arquivo pessoal 

  Vida de bicho no Brasil não é fácil, e nos tribunais da Justiça está ainda mais complicada!

  O caso do cão Joca, um Golden Retriever, de 5 anos, que foi embarcado erroneamente para Fortaleza por empresa da Gol e de lá do Ceará retornou em outro avião para o aeroporto de Guarulhos, onde chegou morto, não deu em nada do ponto de vista criminal.

  A tragédia aconteceu em abril deste ano, mas agora em outubro o Ministério Público do estado de São Paulo pediu o arquivamento do processo criminal do caso Joca. A Justiça acatou o arquivamento ao entender que não houve intenção da empresa ou de funcionários de causar danos ao cachorro, ou seja não houve deliberadamente o ato de maus-tratos.

   O crime de maus-tratos é o único possível neste caso do Joca. Coisas da lei dos humanos!

   Se um motorista ao volante comete um erro e mata alguém pode ser processado por homicídio culposo, sem intenção de matar, mas se esse alguém é um cachorro, como não há a intenção clara, não há crime. É o que se pode interpretar da decisão.

  A lei que prevê maus-tratos contra animais, segundo afirma o Ministério Público, não prevê casos "culposos", sem a intenção de causar o dano, apenas os casos "dolosos", em que há a intenção de maltratar, ferir ou matar um animal. 

   No processo do cão Joca, o Ministério Público entendeu que não há elementos suficientes na investigação policial que apontem ação deliberada de prejudicar o Joca. Sem essa condição, não há crime (na legislação dos bichos)!

  O destino correto do cachorro Joca era o Mato Grosso, onde o seu tutor o esperava. Um voo de 2h30 virou um de 8 horas, com calor absurdo no aeroporto de Fortaleza, e retorno para São Paulo. Segundo laudo, a morte se deu por choque cardiogênico, dentro da caixa de tranporte. 

   No mínimo, houve negligência na troca dos voos e falta de assistência veterinária lá em Fortaleza para avaliar se um ser, de raça peluda, não corria o risco de um hipertermia, estresse agudo e morte.  

   Os advogados do tutor de devem recorrer da decisão. 

   O tutor, João Fantazzini Júnior, sofreu a perda de Joca como se fosse um integrante da família. João e Joca iam morar em Sinop, no Mato Grosso, onde o tutor ia começar nova vida em novo emprego. 

   É de se lamentar o fato da legislação não levar em conta também o sofrimento de João Fantazzini Júnior. O luto pela perda do amigo canino deveria ser suficiente para levar a negligência da empresa ao tribunal.