terça-feira, 5 de julho de 2016

Veterinários na Estrada fazem campanha em Alfenas

União de Forças: Veterinários na Estrada, ONG Anjos de Patas e oficiais do Tiro de Guerra.


      Ao som de Abba, Eric Clapton e B. B. King, o trabalho foi intenso nas barracas de campanhas montadas pelo projeto Veterinários na Estrada, dentro do quartel da cidade de Alfenas, em Minas Gerais, onde foram castrados 110 cães e gatos na última semana de de junho de 2016. A música foi apenas um dos ingredientes na motivação da equipe reunida pela Médica Veterinária, Amélia de Oliveira, uma paulista de 52 anos, que dedica suas forças e talentos para os animais de rua, abandonados, de comunidades de pequenas e médias cidades, e também para os de locais remotos do País, como os da Amazônia.

    O trabalho bem-sucedido foi possível graças ao empenho da ONG Anjos de Patas, presidida pela professora Renata Santinelli, e que tem na diretoria a estudante de agronomia Heliodora Jordão da Silveira Zaponi, e a parceria com o quartel do Exército local. O acampamento dos Veterinários na Estrada foi montado dentro do Tiro de Guerra. 

      O autor deste blog, médico veterinário Ricardo Osman Gomes Aguiar, formado pela FMU em São Paulo em 2015, e o médico veterinário Vinícius Julião, de Alfenas, ajudaram a Dra. Amélia de Oliveira como assistentes nas cirurgias. E aprenderam muito com ela sobre a técnica do gancho utilizada nas fêmeas caninas e felinas, que assegura menor risco de infecção e encurta o tempo do procedimento.
Na foto ao lado, está o autor do blog com a médica veterinária Amélia de Oliveira, em um intervalo do trabalho no Tiro de Guerra.
Em quatro dias, foram atendidos inúmeros animais de rua e de ONGs, outros vieram da roça, e muitos vira-latas foram trazidos por seus proprietários, que conseguiam arcar com os custos baixos da cirurgia do projeto Veterinários na Estrada.
Enfermidades comuns na região foram tratadas e parasitas foram retirados dos animais. Os proprietários foram convidados a assistir palestra educativa sobre os benefícios da castração, que além de impedir a reprodução é método preventivo contra o câncer.
Na foto acima, estão os proprietários com seus animais na fila da castração de cães e gatos, dentro do quartel. Ao fundo, as barracas do projeto Veterinários na Estrada, onde as cirurgias foram feitas com todos os cuidados e técnicas de assepsia.



Na foto acima e ao lado, Dra. Amélia e Oliveira prepara-se para iniciar mais uma castração. Nas fêmeas, foi utilizada a técnica do gancho. Por meio de um pequeno gancho os ovários, trompas e útero são puxados para fora do corpo, através de pequeno corte, o que reduz consideravelmente a possibilidade de infecção interna, e o tempo de cirurgia, em relação à técnica convencional.









 Na foto à direita, os cachorrinhos se recuperam no espaço reservado à pós-cirurgia. 


















terça-feira, 17 de maio de 2016

Campanha de doação de cães e gatos da Universidade São Judas Tadeu, em São Paulo.




A doação de cães e gatos retirados das ruas ou de lixões, recolhidos em caixas abandonadas, é uma forma adequada de atender tanto às necessidades destes animais quanto às de famílias, que buscam um bichinho de estimação para criar e confortar a todos. 
São laços de amizade e afetivos criados nestas campanhas de doação, mas que devem ser firmados com muita responsabilidade, já que os cuidados com cães e gatos exigem tempo, energia dos proprietários e dinheiro para alimentação, banhos e tratamentos veterinários. 
São laços firmados por toda uma vida, por 10 anos, 15 anos e até mais do que isso, já que a expectativa de vida de cães e gatos em cidades como São Paulo tem aumentado bastante, graças à alimentação e aos avanços da medicina veterinária.
Neste sentido, devemos valorizar e estimular campanhas sérias de adoção de animais realizadas por cursos acadêmicos renomados como a programada para o próximo sábado, dia 21 de maio, pela faculdade de Medicina Veterinária da Universidade São Judas Tadeu (USJT). 
A campanha irá ocorrer no sábado das 10h às 14h, com projetos parceiros e ONGs.  Cães e gatos jovens e adultos estarão no local à espera de um novo lar.
A assessoria de imprensa desta Universidade enviou mensagem com as seguintes informações:

Todos os animais que participam da ação são castrados, vacinados e vermifugados. 
Os interessados deverão preencher alguns requisitos para a liberação dos animais. É preciso: 
 - Ser maior de idade
- Apresentar documentos de identificação pessoal (RG)
- Receber orientações sobre a adoção e guarda responsável de animais
- Preencher o termo de responsabilidade

Todos esses cuidados são necessários para garantir a saúde e bem-estar dos animais adotados e ainda contribuem para a diminuição do número de cães nas ruas e casos de maus-tratos.
A Universidade São Judas Tadeu está localizada na Rua Taquari, 545 -  Mooca.

As pessoas que quiserem doar ração para o projeto também poderão fazê-lo em caixas localizadas próximos às tendas.  

Adoção de cães e gatos
Quando: 21/05
Horário: 
das 10h às 14h
Onde: na unidade Mooca da Universidade São Judas Tadeu – Rua Taquari, 545 – Mooca, SP.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Uma homenagem artística de 1943



Um livro especial editado em 1943 me chegou às mãos. Com pinturas e desenhos de Alberto Apfel e curta apresentação de Guilherme de Almeida. Vejam a capa do livro.

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos é premiado no Jabuti 2015



Os autores (a partir da esq.): Márcia Mery Kogika, João Pedro de Andrade Neto e Márcia Marques Jericó/Foto Divulgação Câmara Brasileira do Livro











O livro Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos, dos médicos veterinários Márcia Marques Jericó, João Pedro de Andrade Neto e Márcia Mery Kogika, lançado em 2015, foi premiado na 57º edição do Prêmio Jabuti, a mais importante premiação do País criada em 1958. A premiação é organizada pela Câmara Brasileira do Livro e 27 categorias foram premiadas em 2015.
O Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos obteve o segundo lugar na categoria Ciências da Saúde. Essa é a primeira vez que um livro da área de Medicina Veterinária recebe o prêmio Jabuti, segundo reportagem publicada no site do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP).. 
Trata-se, realmente, de um livro excepcional, que envolveu vários profissionais como Rodrigo Rabelo, Nestor Calderón, Rita de Cássia, Ana Claudia Balda, Ricardo Duarte e tantos outros.
É um livro indispensável na biblioteca de todo estudante de Medicina Veterinária e dos profissionais da área.

O resultado divulgado em dezembro de 2015

Ciências da Saúde
1º Lugar – Título: Tratado de Neuropsiquiatria Neurologia Cognitiva e do Comportamento e Neuropsicologia – Autor: Leonardo Caixeta –Editora: Editora Atheneu
2º Lugar – Título: Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos – Autor: Márcia Marques Jericó, João Pedro de Andrade Neto e Márcia Mery Kogika – Editora: Roca
3º Lugar – Título: Atualização em Hemorragia Digestiva: Novos Conceitos na sua Fisiopatologia, Diagnóstico e Tratamento – Autor:Bruno Zilberstein, Flair José Carrilho, Ivan Cecconello e Luiz Augusto Carneiro D’albuquerque – Editora: Editora Atheneu


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Rio Doce: uma tragédia anunciada do mar de lama.

Foz do Rio Doce, no Espírito Santos/Foto Ibama Divulgação

A tragédia de vidas humanas, de animais e do meio ambiente em Minas Gerais, causada pelo rompimento de barragem da mineradora Samarco, é a crônica de um acidente anunciado. Crianças morreram, cães e gatos, peixes e animais silvestres. Tudo isso porque no Brasil medidas de proteção às comunidades e ao meio ambiente, e medidas de sustentabilidade, ainda são vistas na maioria dos casos como marketing pelas empresas.
Atesto isso como jornalista profissional que atuou por 34 anos na grande imprensa brasileira e visitou inúmeros projetos de empresas, inclusive da Vale, que é ao lado da BHP uma das controladoras da Samarco.
Aparentemente, o rompimento da barreira surpreendeu a todos, mas a empresa não tinha nenhum sistema de monitoramento das barragens que receberam resíduos da extração do minério e nem sistema para avisar à comunidade sobre o acidente, e tentar salvar vidas, e conter os danos ao meio ambiente. Tudo foi improvisado após o acidente do dia 5 de novembro de 2015, é essa a impressão que fica.
Proteção ao meio ambiente e medidas de crescimento sustentável devem ser levados a sério neste País. Sei que a Samarco e a Vale têm medidas neste sentido, mas precisam fazer mais, mais e mais, como evidenciou o rompimento e a tragédia ecológica que seguiu a Mariana. Nestes dias, a lama chegou ao oceano Atlântico, a morte anunciada da flora e fauna brasileiras.
O Ibama informa que multou a empresa em R$ 250 milhões. A prevenção teria custado menos, mas o autor deste blog e muitos outros defensores do animais e do meio ambiente, e portanto das comunidades, parecem não serem ouvidos pelas autoridades e pelas empresas quando alertam que precisamos viver no Brasil uma nova fase em relação à responsabilidade com o planeta. Isso não é discurso de ecohippie, nem de protetor de animais desinformados, o que ocorreu é coisa séria, que causou e causa imenso sofrimento a inúmeros seres vivos.

domingo, 1 de novembro de 2015

IV Simpósio em Saúde Ambiental: lições da crise de água e energia podem contribuir para um mundo melhor.

No segundo dia de palestras e debates do IV Simpósio em Saúde Ambiental do Programa de Mestrado Profissional em Saúde Ambiental da FMU - Água e Energia, discutiu-se a herança que o País vai deixar para as futuras gerações. Mas nem tudo teve cores pessimistas. Foi ressaltado que é possível tirar das crises lições e avançar na direção de um mundo melhor.

Confira abaixo os debates realizados na sexta-feira, dia 30 de outubro de 2015, no prédio da Faculdade de Medicina Veterinária da FMU, na rua Ministro Nelson Hungria.

Reportagem e fotos de Ricardo Osman
  
O palestrante Alessandro Luiz Oliveira Azzoni

          Os economistas costumam dizer que mesmo nas crises surgem oportunidades de negócios e graças ao espírito empreendedor soluções antes inimagináveis são postas na mesa. Os especialistas reunidos no segundo dia do IV Simpósio em Saúde Ambiental do Programa de Mestrado Profissional em Saúde Ambiental da FMU também discutiram e apresentaram um legado positivo da atual crise de água e energia que enfrenta o Brasil.
          “Aprendemos que a água é finita, e que o ar pode ser finito. Aprendemos a economizar água. Os governos perceberam a fraqueza do sistema e os Ministérios Públicos Federal e Estadual estão mais eficazes em suas atuações”, disse Alessandro Luiz Oliveira Azzoni, diretor da Opzione Fomento Mercantil e integrante do Conselho de Meio Ambiente da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da cidade de São Paulo, o primeiro palestrante do segundo dia do IV Simpósio, que ocorreu na sexta-feira, dia 30 de outubro, em espaço da Faculdade de Medicina Veterinária da FMU, campus Ponte Estaiada. “Acredito que não retornaremos mais ao consumo anterior e as Agências Reguladoras estão mais atentas. Temos de tirar proveito da crise sim. Se não fizermos nada a água e a energia podem acabar.” A palestra de Azzoni tratou justamente da “Crise hídrica: seus efeitos e seu legado”.
 
Coordenadora da Faculdade de Medicina Veterinária,
professora Ana Cláudia Balda, abre o segundo dia do
IV Simpósio em Saúde Ambiental da FMU
Os debates deste segundo dia do IV Simpósio foram abertos pela coordenadora do Curso de Medicina Veterinária da FMU, professora Ana Cláudia Balda, e pelo coordenador do Programa de Mestrado em Saúde Ambiental da FMU, professor João Carlos Shimada Borges. Eles passaram a palavra ao presidente da mesa, professor Carlos Augusto Donini que, diante de uma sala lotada por estudantes, médicos veterinários e ambientalistas de várias instituições, ressaltou a importância do evento. “Esse Simpósio tem o objetivo de levantar a discussão. Nós seremos cobrados pelas futuras gerações pela herança deixada para elas”, afirmou Donini, instigando os presentes a refletirem sobres os dados e as pesquisas apresentadas no IV Simpósio. 
A palestrante Fernanda Macedo

      A segunda palestrante do dia foi Fernanda Lopes Macedo, zootecnista pela Unesp e mestre em Ciência Animal e Pastagem pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP). Ela falou sobre o “Uso racional de água e de fontes alternativas de energia na bovinocultura leiteira.” Mas chamou atenção em sua palestra o esforço necessário para que uma nova consciência sobre o uso de água e energia se difunda entre pequenos e médios produtores e o papel relevante que tem a academia neste processo.

        Com o debate aberto, a estudante Nicole Deguide, de 22 anos, que cursa o 5º período da Faculdade de Medicina Veterinária da FMU, observou para todos que faltou informação à população sobre a dimensão da crise hídrica de 2015. “A população só foi informada quando a crise chegou a um ponto crítico. Os governos deveriam ter explicado à população o motivo da falta de água desde o início.” Suas palavras alimentaram intenso debate sobre o papel da mídia e a qualidade da informação fornecida por órgãos governamentais ao longo deste ano.
       O IV Simpósio tornou-se cenário da discussão da “crise de informação” que esteve ao lado das da água e da energia – e o objetivo do evento, “de levantar a discussão”, como ressaltou o professor Donini na abertura, pareceu alcançado.  



OS TRABALHOS CIENTÍFICOS

Avaliação simultânea dos trabalhos científicos apresentados para o IV Simpósio

         Depois das palestras e do debate, os participantes do IV Simpósio em Saúde Ambiental da FMU seguiram para sala do programa de Mestrado em Saúde Ambiental para acompanhar de perto a tarefa de revisores na avaliação dos trabalhos científicos apresentados para o evento. Vinte e dois trabalhos científicos, previamente aprovados do total inscrito, foram avaliados simultaneamente por revisores diante da plateia convidada.
        Os revisores puderam sentar ao lado dos autores dos trabalhos científicos e, diante de computadores, conhecer o texto dos estudos e receber explicações na hora da avaliação. Foram dadas notas para vários aspectos dos 22 trabalhos científicos e quatro serão indicados como os melhores, os vencedores do IV Simpósio, após a contagem dos pontos, o que deve ocorrer nos próximos dias.
     
Autora de trabalho científico (à esq.) apresenta o estudo
 aos revisores do IV Simpósio
  Pôsteres dos trabalhos foram expostos na sala e revelavam a abrangência do tema Saúde Ambiental: estavam lá pôsteres sobre pesquisa realizada junto à população indígena Guarany, da Aldeia Ribeirão Silveira, localizada no litoral paulista, região de Bertioga e São Sebastião, e outro sobre o Impacto da Crise Hídrica na Indústria.
       Todos os 22 trabalhos científicos previamente aprovados serão publicados como anais na revista científica eletrônica Atas de Saúde Ambiental – ASA, conforme informou a professora Andrea Roberto Bueno Ribeiro, coordenadora deste processo de seleção e avaliação e editora da revista eletrônica ASA. Desta forma, os trabalhos científicos apresentados para o IV Simpósio em Saúde Ambiental do Programa de Mestrado Profissional em Saúde Ambiental da FMU poderão ser conhecidos facilmente por todos.   

O endereço eletrônico da revista ASA é: http://revistaseletronicas.fmu.br/index.php/ASA/index
     
Professores (de pé) avaliam o trabalho científico.
 Estudos serão publicados na revista eletrônica
 Atas de Saúde Ambiental - ASA





     Na foto acima os professores João Carlos Shimada Borges e Andrea Roberto Bueno Ribeiro (sentados) e Carlos Augusto Donini (de pé): contagem dos pontos das avaliações feitas dos trabalhos científicos apresentados ao IV Simpósio em Saúde Ambiental.


Abaixo os quatro melhores trabalhos apresentados no IV Simpósio em Saúde Ambiental, resultado divulgado em 12 de novembro.


Melhores trabalhos do IV Simpósio em Saúde Ambiental_2015

Pesquisa:

“Detecção de Circovírus suíno 2 (PCV2) por reação em cadeia pela polimerase (PCR) nas fezes e baia de suínos em granja sem vacinação”
Autores:

Alessandra Barone Briani Fernandes; Carlos Henrique Quarello de Moraes; Elmar de Azevedo Alvarenga; Fernanda Rodrigues da Silveira; Suzana Cristina Quintanilha ; Alessandra M. M. Gomes de Castro e Flávio Baldisseri Jr.

Pesquisa:

“Caprinocultura leiteira: aspectos econômicos e avaliação de atratividade do negócio”
Autores:

Gilmar de Oliveira Pinheiro; Erico da Silva Lima; Vitória Souza de Oliveira Nascimento
Revisão Bibliográfica:

“Coliformes termotolerantes: Bioindicadores da qualidade da água destinada ao consumo”
Autores:

José Alexandre de Oliveira; Maria Claudia H.G dos Santos; Nair Massumi Itaya; Ricardo Moreira Calil
Revisão Bibliográfica:

“Agroecologia como ferramenta de sustentabilidade nas pastagens”
Autores:

Tiago Neves Pereira Valente; Erico da Silva Lima; Crislen  Adrielle Luz Sobrinho; Vitória Gallo Borges de Lima; Sandro de Castro Santos
























O periódico Atas de Saúde Ambiental - ASA, ISSN 2357-7614, é uma iniciativa do corpo docente do Curso de Mestrado Profissional em Saúde Ambiental das Faculdades Metropolitanas Unidas – FMU, com interesse multidisciplinar nas áreas diversas que compõem a temática central do Curso: Saúde e Ambiente. O corpo editorial da revista eletrônica é composto por renomados pesquisadores e docentes de diversas instituições nacionais e internacionais.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

SAÚDE AMBIENTAL DO PAÍS ESTÁ NA UTI, AFIRMAM ESPECIALISTAS EM SIMPÓSIO, REALIZADO EM SP.

Abertura do Simpósio (da direita para esq.): professor Carlos Donini, professor João Carlos Shimada, vereador Gilberto Natalini, do PV, e Juarez Eduardo de Andrade Fortes, da OAB-SP (fotos de Ricardo Osman)

Vereador Gilberto Natalini (PV) em palestra para plateia no auditório da OAB-SP

Para salvar recursos como a água e garantir produção de energia é preciso ação inovadora dos cidadãos e planejamento dos governos

Reportagem Ricardo Osman

   Crise hídrica, de energia, rios encobertos na cidade de São Paulo, resíduos que podem gerar energia, falta de planejamento governamental, direito ambiental e até portos planejados para manguezal no litoral norte paulista, foram os assuntos que fizeram parte das palestras e dos debates do primeiro dia do IV Simpósio em Saúde Ambiental do Programa de Mestrado Profissional em Saúde Ambiental da FMU. O evento foi realizado nesta quinta-feira, dia 29, na sede paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ao lado da catedral da Sé, e lotou o auditório do 2º andar, com a presença de mais de 100 participantes.
   Nenhum tema relevante da atualidade ficou de fora e não faltaram alertas de que a situação da cidade, do País e até do mundo exige dos governos e cidadãos uma nova atitude. Afinal, a crise de abastecimento de água conhecida dos paulistanos, a energia elétrica cada vez mais cara e a poluição do meio ambiente ameaçam a atual e as futuras gerações.
   O coordenador do Programa de Mestrado em Saúde Ambiental da FMU, professor e pesquisador João Carlos Shimada Borges, ressaltou o papel da academia, mas também de cada cidadão, nas mudanças que se fazem necessárias para o uso dos recursos hídricos e da energia no País. “O que vamos fazer com estas informações?”, quis saber ele. “Precisamos trabalhar na quebra de paradigmas, vamos quebrar nossos hábitos”, acrescentou ele.
  Não só de recursos escassos e outros renováveis se limitou a análise. “Vivemos no País uma crise de respeito. A nossa história explica que não temos consciência do que é nosso”, afirmou o professor Carlos Donini, que abriu o IV Simpósio, pela manhã.
 
Professor Ricardo Calil,
segundo da esq. para direita
  O primeiro palestrante foi o vereador de São Paulo e médico Gilberto Natalini (PV) que fez um panorama da situação crítica dos recursos hídricos na cidade e denunciou a poluição dos (poucos) rios. “Não podemos continuar dormindo em berço esplêndido”, disse ele, observando que o planejamento dos recursos hídricos e da geração de energia no País não foi adequado. “A biomassa deveria ser aproveitada na produção de energia e esse recurso geraria energia equivalente à de uma Itaipu por ano”, afirmou o vereador. Para ele, a falta de água deste ano na cidade serve como alerta para todos. “Desperdiçamos muita água e poluímos nossos córregos e rios com esgoto.” O vereador distribuiu carta aberta que irá apresentar à conferência da ONU sobre Mudança do Clima, marcada para dezembro, em País.
  O presidente da mesa no debate inicial foi o professor Ricardo Moreira Calil e da composição fez parte o representante da Comissão de Meio Ambiente da OAB, Juarez Eduardo de Andrade Fortes.
 
Professora Marta Angela
           A professora Marta Angela Marcondes, da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, surpreendeu a plateia ao denunciar que “300 rios foram enterrados vivos na cidade de São Paulo.” Marta Angela referia-se a rios que foram cobertos por pistas, asfaltos, aterros e ainda correm, agora poluídos, nos subterrâneos paulistanos. “Os rios enterrados acabam esquecidos e viram esgotos. A coisa é mais séria do que podemos imaginar”, afirmou ela. Integrante da Câmara Técnica de Educação Ambiental do subcomitê de Bacias Hidrográficas Billings-Tamanduateí, ela afirmou que o governo estadual tem a ideia de unir rios e bacias da Região Metropolitana de São Paulo, na forma de círculo em torno da Capital, o que ela definiu como a criação de um “Esgoto Anel” – em referência ao Rodoanel, por estarem estas águas poluídas e por não haver, segundo disse, nenhum projeto efetivo de despoluição. Este anel das águas descrito tem início no rio Tietê, desce pelo rio Pinheiros, entra na Guarapiranga, Billings e chega ao Taiaçubepa, que seria ligado de volta ao Tietê por meio de canalização. “Temos de mudar nosso olhar de planejamento urbano. Os rios devem ser desenterrados e despoluídos. Isso iria suprir a cidade de São Paulo de água.” Ela lançou um desafio aos presentes: “Descubra os rios que estão perto de você. Eles estão debaixo da cidade, mas estão poluídos e tomados por bactérias.”
 
Denúncia: rios enterrados vivos em São Paulo.
Este foi o ponto do Simpósio considerado mais interessante pelas estudantes Mariana Okabe Tardioli, de 24 anos, e Daiane Cristina Dias, de 27 anos, que cursam o 7º período da Faculdade de Medicina Veterinária da FMU. “Não sabia desses rios enterrados”, disse Mariana.
  “Estamos diante de uma oportunidade ímpar de discutir situações importantes para a sociedade”, observou o professor Ricardo Calil, presidente da mesa. “Vemos que não há planejamento para enfrentar os problemas. Vemos somatória de equívocos e sabemos que vamos pagar uma conta enorme por isso.” Para Calil, a juventude tem responsabilidade pelas mudanças necessárias ao País. “A juventude precisa ver que os rios enterrados são problemas dela também.”
   
Palestrante Valquiria de Alencar
Valquiria de Alencar Beserra, mestranda em Tecnologia Ambiental na Universidade Federal Fluminense (UFF), localizada em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro, falou em seguida sobre o “Tratamento de resíduos na pecuária para produção de adubo orgânico e geração de energia”, e afirmou que é possível inovar até nas residências, com a compostagem caseira.
  À tarde, no último debate deste primeiro dia, a professora e pesquisadora Renata Marques Ferreira presidiu a mesa e a palestrante foi a professora e Doutora em Direitos Difusos e Coletivos, Gisele Bernardo Gonçalves Hunold, que integra a Comissão Permanente do Meio Ambiente da OAB-SP. 
Dra. Gisele Bernardo (à esq.) e professora Renata Marques Ferreira
   A Doutora Gisele Bernardo discorreu sobre o direito ambiental, relatou casos, mas o debate esquentou quando ela observou a importância do cidadão na defesa e vigilância do meio ambiente, ao lado de instituições como o Ministério Público. “Quantas pessoas têm o conhecimento de que são donos e responsáveis pelos bens ambientais?”, perguntou. Concordou que sociedade deve ficar vigilante ao responder pergunta sobre o projeto de construção de um porto (alguns chamam de ampliação) em São Sebastião, no litoral norte paulista, exatamente sobre uma área de manguezal, de grande importância biológica. O projeto está parado por decisão da Justiça, mas, segundo depoimentos, parece avançar a cada dia no entorno de São Sebastião.

   O segundo dia do IV Simpósio ocorre nesta sexta-feira, dia 30, no campus da Faculdade de Medicina Veterinária da FMU (Ponte Estaiada), localizado na rua Ministro Nelson Hungria, e será aberto pela coordenadora do Curso de Medicina Veterinária da FMU, professora Ana Cláudia Balda.


Auditório lotado