terça-feira, 31 de julho de 2012

Um mergulho no maravilhoso mundo dos canídeos silvestres brasileiros

O lobo-guará em recinto da Associação Mata Ciliar/Fotos de Ricardo Osman
                            
                O seu cãozinho doméstico (Canis familiaris) tem primos bem próximos nas matas e campos do Brasil. São animais silvestres como o lobo-guará (Chrysocyon brachyrus) que vive em um longo território que se estende do cerrado do Nordeste do País até a Mata Atlântica da região Sudeste. É um cão de grande porte, muito esbelto e de pernas longas e finas, como descrito no livro "Mamíferos do Brasil", de Tomas Sigrist. Curiosamente, é um animal solitário, não vive, portanto, em matilha e se alimenta de frutos da árvore lobeira e de pequenos roedores, reptéis e aves. O animal da foto vive em um recinto da Associação Mata Ciliar, uma entidade que resgata, estuda,  e preserva canídeos e outros animais silvestres, e quando possível, os devolve à mata. Sua sede fica em Jundiaí, interior de São Paulo. 
               No fim de semana de 28 e 29 de julho, a Mata Ciliar realizou o curso de Medicina Veterinária e Biologia de Canídeos Neotropicais. O curso foi coordenado pela bióloga Marília Fernandes Giorgete e recebeu estudantes, veterinários e biólogos de vários Estados do País. O autor deste blog participou do curso e conheceu de perto o trabalho extraordinário que é realizado por esta organização não-governamental para a preservação da vida selvagem no Brasil.
A fêmea de lobo-guará no experimento
de enriquecimento ambiental
No sábado, as palestras foram da médica zoóloga Dra. Eliana Ferraz Santos, coordenadora do Zoológico de Campinas, que apresentou todas as espécies de canídeos de vida selvagem no País – como o lobo-guará, o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) e o cachorro-do-mato-vinagre (Speothos venaticus) – e da coordenadora do curso Marília Giorgete que falou de sua rica experiência no salvamento de filhotes, muitos resgatados de incêndio nas matas.
Trata-se de um mundo que muitos que amam os cães desconhecem. Os hábitos e a dieta de cada espécie são específicas. No curso, os participantes puderam ver uma experiência de enriquecimento ambiental no recinto de fêmea de lobo-guará – foram usadas melancia e abóboras como novos elementos/alimentos para o animal.
Mas somente no domingo, todos puderam ver a complexidade dos resgates de animais selvagens, nos quais são utilizados tranquilizantes. O caso mais famoso foi o resgate da onça Anhanguera, atropelada na rodovia de mesmo nome, anos atrás. No segundo dia do curso, a aula prática foi realizada pela coordenadora da Fauna da Associação Mata Ciliar, Dra. Cristina Harumi Adania, e pelo professor e Dr. Paulo Anselmo Nunes Felippe, do Departamento de Epidemiologia da Mata Ciliar. "É preciso respeitar o tempo dos animais", disse Cristina Harumi, destacando a primeira lição. Respeito aos animais silvestres é o que mostram esses profissionais o tempo todo. Afinal, esses mamíferos não interagem conosco como os domésticos, e tanto na vida livre quanto em cativeiro têm diante de nós a reação de fuga ou ataque, se a área de segurança que estabelecem for invadida.   
Enriquecimento ambiental com
o cachorro-do-mato.
Orientados pelos professores,  os participantes fizeram a contenção de dois cachorros-do-mato que estavam em recintos separados: a primeira contenção utilizou dardos com anestésicos.  Alguns minutos após ser atingida pelo dardo, a fêmea Sofia foi removida do recinto e levada para o Centro Cirúrgico da organização onde foram realizados exames, como o de sangue. A conteção atendeu  à necessidade de exame do animal. Sofia chegou à Mata Ciliar ,filhote ainda, sobrevivente de uma queimada. Até hoje sua orelha tem as marcas das chamas.
Depois, com a ajuda de um puçá, o cachorro-do-mato de nome Filho, foi contido. O curso foi concluído com palestra sobre a vida dos animais em Zoológicos. 










A CONTENÇÃO DOS CACHORROS-DO-MATO

Veja abaixo a sequência de fotos que mostram a contenção dos cachorros-do-mato, que teve início com a preparação correta dos dardos, o que não é tarefa fácil, e  o cálculo das doses de anestésicos. Foram preparados três dardos, para o caso dos primeiros disparos não acertarem a musculatura do animal. Durante todo o tempo da contenção, as frequências respiratória e cardíaca foram monitoradas, assim como a temperatura corporal. 



A preparação dos dardos /Fotos Ricardo Osman



O momento dos disparos em Sofia



A fêmea Sofia já anestesiada

Exames completos em Sofia.
Temperatura, frequências respiratória e cardíaca
 foram continuamente monitoradas.

Biometria: foram tiradas todas as medidas do animal.

O centro cirúrgico da Mata Ciliar

O cachorro-do-mato Filho anestesiado e examinado,
após contenção com puçá. 



Agradecemos e parabenizamos os organizadores do curso

Se você quiser saber mais sobre as atividades da Associação Mata Ciliar, acesse o site:

http://www.mataciliar.org.br/

                    

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