terça-feira, 28 de outubro de 2014

Olhe onde você pisa. As formigas têm emoções!

Professor Walter Hugo Cunha/Fotos de Ricardo Osman
   ESPECIAL         Se você passar o dedo em meio a uma fileira de formigas no quintal de casa ou no parque e esmagar algumas delas, as demais formigas desta fila vão imediatamente reagir, algumas vão recuar, outras sairão correndo perturbadas e outras ainda, conforme a espécie, poderão até ficar paralisadas. Nada disso seria uma reação instintiva das formigas que chegam ao local onde o dedo foi passado, nem reflexo ou reação automática aos ferormôneos exalados pelas formigas mortas (ferormônios são substâncias químicas  captadas por animais de uma mesma espécie e permitem o reconhecimento mútuo dos indivíduos, segundo Wikipedia).
             Os comportamentos das formigas descritos acima seriam reações emocionais, ações gratuitas e arbitrárias desses insetos, que estariam ligadas diretamente às memórias individuais. É esta a conclusão inédita do professor Walter Hugo Cunha, aposentado do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), mestre em Psicologia Experimental pela Universidade do Kansas (nos Estados Unidos) e doutor em Psicologia na Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da USP. Ele começou a pesquisar as formigas em 1960 e fez inúmeras pesquisas no País. 
             "Afirmo que estas reações das formigas (na fila cortada pelo dedo, onde algumas foram esmagadas) não são reações aos ferormônios, mas perturbações diante de alterações no ambiente costumeiro", disse o professor Cunha, em palestra realizada na tarde desta terça-feira, dia 28, em auditório da FMU, no Campus Santo Amaro, um evento promovido pela Faculdade de Medicina Veterinária e pelo Mestrado em Saúde Ambiental da própria FMU. "Trata-se de uma resposta emocional, porque está ligada ao passado destas formigas." 
             O professor observou que, na natureza, a reação emocional poderia não ser uma vantagem para o formigueiro. "A emoção está relacionada diretamente à memória, mas a memória sim é que é uma vantagem evolutiva." 
Professor Donald Broom
O professor vai lançar um livro sobre suas conclusões e apresentar o resultado das pesquisas que fez não só com fileiras cortadas por dedo, mas usando diversos produtos e situações. A tese de Walter Hugo Cunha vai contra a crença estabelecida na Ciência mundial de que as formigas, diante da fila cortada, reagem automáticamente aos ferormôneos liberados pelas que foram agredidas ou mortas. Sendo um comportamento de grupo da espécie e não respostas emocionais e individuais dos insetos.

               Depois desta apresentação, o professor emérito de Bem-Estar Animal da Universidade de Cambridge, Donald Broom, fez uma palestra. Ele falou sobre os sentimentos nos animais, dos mais simples aos mais complexos. Broom é considerado o primeiro professor de Bem-Estar Animal do mundo. Na palestra, ele lembrou que todos os animais têm sentimentos, e deu o exemplo do coelho. Seja doméstico, seja selvagem, seja animal de laboratório, não importa, qualquer coelho tem sentimentos e sente dor. Por isso, destacou o professor, os conceitos de Bem-Estar animal são tão importantes atualmente. 
               As palestras e o debate foram promovidos pela Faculdade de Medicina Veterinária da FMU e pela coordenação do Mestrado em Saúde Ambiental desta faculdade. O evento contou com apoio do Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal da UNESP, de Jaboticabal.       
                            
Auditório da FMU, em São Paulo: lotado de estudantes e professores.

Um comentário:

  1. osman, continuo leitor atento do site. parabéns pela diversificação. abrs. zé guilherme

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