quinta-feira, 14 de abril de 2011

Paixão por focas, lobos, leões e elefantes-marinhos


Banho de sol no Cabo Polônio, no Uruguai: um lobo-marinho-sul-americano macho (à esquerda) e uma fêmea de leão-marinho-sul-americano.
Foto de Thais Peixoto Gaiad Machado 
       
                 Focas, lobos-marinhos e leões-marinhos costumam aparecer no litoral brasileiro, principalmente na estação de inverno no hemisfério sul. Esses mamíferos marinhos são trazidos da Antártica por correntes oceânicas e chegam a São Sebastião, Ubatuba e praias de Cabo Frio, no Rio. Cerca de 200 animais aparecem por aqui anualmente. Para falar sobre isso, entrevistamos um dos maiores especialistas brasileiros em focas, lobos, leões e elefantes-marinhos, o professor e veterinário Alex Sander Dias Machado, de 33 anos. Alex Sander fez mestrado em Anatomia dos Animais Domésticos e Silvestres pela Universidade de São Paulo e concluiu o doutorado em Ciências na USP. Teve um período “sanduíche” na Escola Superior de Veterinária de Hannover, na Alemanha. Segue a ENTREVISTA EXCLUSIVA:
AnimaisOk: Quais as espécies de mamíferos marinhos que costumam aparecer no litoral brasileiro?
Alex Sander: Os mamíferos marinhos mais comuns por aqui são duas focas provenientes da Antártica, a foca-caranguejeira e a foca-leopardo; o elefante-marinho-do-sul, proveniente do extremo sul da Argentina (Terra do fogo, Uchuaia); o lobo-marinho-sub-antártico, proveniente da costa atlântica africana ou região sub-polar; o lobo-marinho-antártico que vem da Península Antártica; o lobo-marinho-sul-americano e o leão-marinho-sul-americano, que são os mais avistados, provenientes da costa uruguaia ou argentina.
 
AnimaisOk: Em que época do ano e por que esses animais aparecem no Brasil?
Alex Sander: No sul do País podemos avistar esses animais durante grande parte do ano, contudo no inverno as avistagens são mais frequentes na área que vai desde o Chuí até Cabo Frio, no Rio de Janeiro. A sazonalidade da maioria das ocorrências é devido ao deslocamento na direção norte da convergência subtropical formada pelo encontro das águas da Corrente Brasil com a Corrente das Malvinas, durante os meses de inverno, influenciando profundamente a composição da fauna de mamíferos marinhos e aves costeiras e marinhas nos Estados das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Geralmente a convergência ocorre entre o Uruguai e a Argentina, mas no inverno ela pode ocorrer até em frente ao estado do Rio. Essa mudança na corrente de águas frias vindas do sul é que faz com que animais antárticos ou sub-antárticos façam parte da fauna brasileira.

AnimaisOk: Quais são os principais locais em que eles aparecem?
Alex Sander: É possível que encontremos Pinípides em qualquer uma das nossas praias desde o Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul, mas a maioria das ocorrências são em áreas desabitadas e silenciosas. Cada espécie tem sua preferência pela geografia que está mais adaptada, por exemplo os lobos-marinhos são geralmente vistos em áreas pedregosas como costões, pontas ou ilhas.

AnimaisOk: O Brasil tem alguma espécie de pinípides?
Alex Sander: De acordo com o IBAMA e Ministério do Meio Ambiente na fauna brasileira existem sete espécies desses carnívoros marinhos que apresentam o corpo em forma de torpedo e patas na forma de remo chamados de Pinípedes ou Focóides.
AnimaisOk: O que deve fazer um banhista se encontrar o animal na praia?
Alex Sander: O primeiro passo é não se aproximar do animal. Deve tentar chamar entidades que trabalhem com esses animais marinhos, e até que chegue a ajuda especializada o banhista deve apenas observar em silêncio o comportamento do animal para poder fornecer algumas informações quando da chegada do médico veterinário ou biólogo. Pode fotografar o animal para posterior identificação da espécie caso o animal retorne sozinho para a água antes da chegada dos profissionais. O importante é permitir que o animal fique em traquilidade, sem ser molestado.
AnimaisOk: O Brasil deveria ter um guia de identificação desses animais?
Alex Sander: Sim. Um guia para facilitação da identificação destes animais a ser distribuído às comunidades costeiras ou turistas é algo fundamental para a melhor compreensão da importância ecológica das águas brasileiras no ciclo de vida destas espécies. A maioria dos brasileiros sequer sabe da existência de focóides em águas nacionais.



4 comentários:

  1. Mariana Missiaggia14 de abril de 2011 17:59

    Ah, gostei dessa! Esses animais não têm o cheiro mais agradável do mundo, mas são engraçadinhos e durminhocos!É uma delícia observá-los. Bela entrevista.

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  2. Ótima entrevista!Queria muito ver um desses animais de perto!

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  3. Animal ferido encontrado na Praia do Magistério - Bal. Pinhal em 22/07/12. Diversos pedidos de socorro durante o dia inteiro, e total descaso das autoridades, a Brigada Militar, só disse: "Não toque nele, o animal pode ter bactérias. Deixe que ele volte sozinho para a água." Os. Bombeiros disseram : " Nossa recomendação é não recolher o animal." A Brigada ambiental prometeu enviar uma viatura... mas... às 16:30 o pobre animalzinho ainda estava agonizando lá. E mais... tinha outro que já estava morto, depois de tantas pauladas que recebeu dos pescadores que deixam as redes amarradas na beira do mar. To muito revoltada. Depois que aparecem animais mortos na praia e querem fazer investigação do porque que isso acontece??? Eu tenho o nome da doença... NEGLIGÊNCIA !!! Durante o dia avistamos diversos barcos de pesca fazendo a tão falada "pesca de arrasto", isso é permitido?? Todas as entidades contatadas foram alertadas pelo estado agonizante do pobre bichinho. Foi muito triste ter de deixá-lo na areia, sem poder ajudá-lo. Somente registrei em foto e vídeo para documentar meu protesto.

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  4. Adoro Leões Marinhos e esses dois me aparentão ser adoráveis e gentis.
    Anônimo

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