segunda-feira, 13 de junho de 2011

Silvia, a protetora dos cães e gatos da Praça da Sé

A protetora Silvia Helena da Silva, no Centro de São Paulo.
ENTREVISTA EXCLUSIVA  _ Cenário de fundação da cidade e palco do movimento das Diretas Já, o Centro de São Paulo é local também de abandono de animais, como cães e gatos. A paulista Silvia Helena da Silva, de 49 anos, funcionária pública, é a última esperança destes bichos desamparados. Ela tem um olhar especial sobre a região que vai do Vale do Anhangabaú até a Praça da Sé, passando pelo Páteo do Colégio. Silvia é uma protetora voluntária de animais, que ajuda os moradores de rua a cuidar de seus bichos, providenciando remédios e vacinas, e que resgata os bichos abandonados no Centro, local onde são deixados muitos filhotes. Ela faz isso por conta própria e com os recursos do salário. Não recebe ajuda dos governos, que deveriam apoiar sua ação. Nesta entrevista, Silvia descreve o que acontece na Praça da Sé e arredores. Recentemente, acompanhei o resgate bem-sucedido que Silvia fez de dois filhotes de cachorro que viviam com moradores de rua na Praça da Sé. Os animais estavam com cinomose, uma doença grave, não dormiam direito, e Silvia conseguiu, depois de insistir, ficar com eles. Foram levados para tratamento em clínica veterinária da Avenida Ipiranga e receberam os nomes de Robinho e Elano. "Eles eram inseparáveis", disse Silvia.
AnimaisOk _ Quais os principais problemas que você encontra no Centro?
Silvia _ O Centro é um local de abandono de cães e gatos. Encontramos sempre animais "desovados" aqui, principalmente nos finais de semana. A maioria é de cachorros, em situação crítica, doentes, atropelados. Recentemente, resgatamos uma poodle na Praça da Sé, que estava no cio e ficou toda machucada. Houve briga entre os cães. Alguns moradores de rua não têm educação, não consideram que os animais precisam comer, beber e descansar, andam com filhotes à noite. Alguns moradores de rua utilizam-se dos cães até para arrecadar dinheiro de pessoas que tenham pena dos bichos. 


AnimaisOk _ Você tem apoio dos orgãos  municipais?
Silvia _ Não. A Guarda Municipal da Prefeitura, que tem base na Praça da Sé, poderia nos dar um suporte, ajudar no resgate dos animais, mas não faz nada. O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de São Paulo só vem ao Centro quando o bicho apresenta algum risco para as pessoas, mostra agressividade. Fora desta situação não há nenhum tipo de ajuda ou de resgate para cães abandonados ou vítimas de maus-tratos.
Ela trata dos animais de rua
AnimaisOk _ O que você faz quando encontra os animais no Centro?
Silvia _ Quando o cão tem um morador de rua que cuida dele, ou seja que tem uma referência, procuro cuidar do animal no local, dando medicação, levando ao veterinário, oferecendo coleira e ração. No caso dos animais sem dono, é preciso fazer o resgate, por conta inclusive da segurança do próprio animal, porque se ficar na rua pode morrer atropelado. Temos aí os maiores problemas. 
AnimaisOk _ Falta suporte nesta hora?
Silvia _ Sim. Faço tudo custeado por mim, com o apoio de algumas protetoras que conheço. Faço o socorro, pago castração, vacinas e vermifigação. Depois do resgate, procuro fazer a adoção por meio da internet, avisando a amigas e amigos. Há seis anos trabalho voluntariamente no Centro com os animais.  Comecei ajudando os carroceiros, com um trabalho de meio ambiente, orientando em relação à reciclagem.

Um filhote na Praça da Sé

AnimaisOk _ Como foi o resgate dos cachorrinhos "Robinho" e "Elano"?
Silvia _ Encontramos eles aqui na Praça da Sé, com moradores de rua que eram usuários de droga, e os animais passavam por privações, como falta de alimentos. Às vezes, andavam com eles à noite. Suspeitei de cinomose (doença grave causada por vírus). O diagnóstico depois foi confirmado. Foi um custo o resgate porque os donos não queriam entregar os filhotes e tivemos que argumentar e comprá-los para fazer um trabalho de socorro. Graças a Deus os filhotes foram socorridos a tempo, foi possível tratá-los da cinomose. Robinho e Elano foram cada um para um lar. Era uma dupla de sucesso.

AnimaisOk _ O que ocorreu com a cachorra de pelos brancos que vivia na Praça da Sé?
Silvia _ Era a Lilica, uma cadela que todo mundo gostava. Infelizmente tentamos tirar ela da rua, mas sua dona não permitiu. Soubemos agora que ela morreu atropelada. A dona acabou presa depois e outro cachorro que ela tinha, o Scoth, está desaparecido. Estou procurando o Scoth.

AnimaisOk _  Os animais ajudam os moradores de rua?
Silvia _ Sim. Em alguns casos, o bichinho é a única referência que o moradora de rua tem. E para o bicho o morador de rua também é importante. Conhecemos vários moradores de rua que têm  histórias bonitas com os animais, que os tratam com muito carinho e amor, e até melhor do que muita gente que tem condições.

Animais _ A cidade não deveria oferecer albergues para moradores de rua com canil e gatil, para os animais?
Silvia _ Houve um período em que os carroceiros podiam entrar no albergue Boracea com suas carroças e seus cachorrinhos. Isso é essencial. Muitos sem-teto não têm lugar para tomar um banho, dormir e deixar seu bichinho. A Prefeitura não oferece este serviço. O que vemos, infelizmente, são agentes da Prefeitura recolhendo os pertences de moradores de rua, sem dar nenhum protocolo do que estão levando, inclusive documentos. Carregam até o potinho da água dos animais.

AnimaisOk _ O que a Prefeitura e o governo do Estado poderiam fazer  para amenizar o problema? Você teme soluções de última hora na véspera da Copa do Mundo?
Silvia _ A administração poderia criar um programa para solucionar isso tudo. Um projeto de proteção aos animais que teria um espaço para onde poderíamos enviar esses animais em situação de emergência, um abrigo onde seguiriam depois para adoção. Sabemos que quando há um evento como a Copa do Mundo é feita uma limpeza de última hora no Centro, não só dos bichos, mas dos moradores de rua, que tentam se esconder. Gostaria que houvesse interesse das autoridades para criar um espaço para os animais, com veterinários, banho e tosa, hotel. Também é fundamental uma campanha de castração gratuita e pública aqui no Centro. A solução do problema já passou da hora. Os policiais da Guarda Municipal deveriam ter nova atitude e proteger efetivamente os animais. Quero deixar claro que não nos ajudam a fazer resgate de animais atropelados. A corporação deveria rever esta posição e se engajar na causa, que é de todos. Isso ajuda os animais e os cidadãos. Temos muitas bases da Polícia Militar e da Guarda Civil no Centro. Gostaria que combatessem os maus-tratos nos animais e nos dessem suporte nos resgates.
Contatos: Silvia: sildamata@uol.com.br

REPERCUSSÃO DA ENTREVISTA (Algumas mensagens e comentários):
"A Silvia é realmente uma pessoa muito corajosa. Eu já estive com ela na praça da Sé e é impressionante o trabalho que ela faz. Eu admiro mesmo tudo o que a Silvia faz e endosso o que ela disse na entrevista. É preciso uma política que considere os moradores de rua, seus animais e seus pertences. O que não ocorre atualmente. Parabéns pela entrevista, Osman.
Por Dinorah Ereno, jornalista 

"Silvia é exemplo pra tantos que dizem ter 'pena dos animais', mas não transformam este sentimento em atitude.Vamos lá pessoal: ATITUDE, comece por algum lugar, assim como a Silvia um dia começou - ajude o próximo mais próximo.
Por Sonia Lobarinhas
"Sílvia é iluminada e corajosa, porque se aproximar de pessoas em situação de rua não deve ser nada fácil. Parabéns pela matéria, Ricardo!"
Por Evna Arruda

"A Silvinha é, realmente, muito iluminada e desprendida. Sou irmã dela e também sou protetora, mas moro em Ribeirão Preto. Aqui, enfrentamos os mesmos problemas. Tenho orgulho da Silvinha! Que Deus a ilumine e lhe dê muita saúde, força, coragem e que ela tenha muita fé para não esmorecer! Bj
 

5 comentários:

  1. Evna escreveu: "Sílvia é iluminada e corajosa, porque se aproximar de pessoas em situação de rua não deve ser nada fácil... Parabéns pela matéria, Ricardo!"

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  2. A Silvia é realmente uma pessoa muito corajosa. eu já estive com ela na praça da Sé e é impressionante o trabalho que ela faz. eu admiro mesmo tudo o que a Silvia faz e endosso o que ela disse na entrevista. é preciso uma política que considere os moradores de rua, seus animais e seus pertences. o que não ocorre atualmente. parabéns pela entrevista, Osman.

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  3. Silvia é exemplo pra tantos que dizem ter "pena dos animais" mas não transformam este sentimento em atitude.Vamos lá pessoal: ATITUDE, comece por alguma, assim como a Silvia um dia começou - ajude o próximo mais próximo.

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  4. A Silvinha é, realmente, muito iluminada e desprendida.
    Sou irmã dela e também sou protetora, mas moro em Ribeirão Preto.
    Aqui, enfrentamos os mesmos problemas.
    Tenho orgulho da Silvinha!
    Que Deus a ilumine e lhe dê muita saúde, força, coragem e que ela tenha muita fé para não esmorecer!
    Bj

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  5. Jucenara Fossatti23 de junho de 2011 13:57

    Tenho orgulho de ser amiga de Silvinha!!!!

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